(relato de Kutxinha – educador-educadora e treinador-treinadora de futebol) A Suely tem agora 14 anos e faz parte do Centro de Educação há muitos anos. Gosta muito de jogar futebol e passou por todos os escalões, começando no U7 e jogando com os rapazes até ao U13. Depois passou para as raparigas mais velhas e começou a treinar com mulheres adultas aos 14 anos, uma vez que não havia jogadoras suficientes para a equipa U17. Durante um jogo de preparação para o campeonato regional, coloquei-a em campo pela primeira vez como defesa central. Estava visivelmente nervosa e inicialmente não queria entrar. A Suely é uma rapariga muito calma e tímida. A Edza (16 anos), que já jogava como defesa central, percebeu o nervosismo da Suely e disse-lhe:“Suely, não tenhas medo. Joga como jogas sempre e, se cometeres um erro, eu estou aqui para corrigir.” As duas tornaram-se uma dupla defensiva sólida e jogaram juntas todo o campeonato regional. Graças a isso, a equipa qualificou-se para o campeonato nacional, onde a Suely jogou todos os jogos do início ao fim, com apenas 14 anos, recebendo muitos elogios de jogadoras de outras equipas.
Fevereiro 24, 2026
Estórias
Ruan e as palavras de incentivo
(relato de Kutxinha – educador-educadora e treinador-treinadora de futebol) O Ruan (8 anos) vem da localidade vizinha de Chão Bom. Antes de entrar no Centro de Educação, viveu em Assomada e jogava futebol num clube local. Quando se inscreveu no centro, teve de escolher qual educador seria responsável por ele. Escolheu-me a mim, apesar de não me conhecer. Quando lhe perguntei porquê, respondeu: “Vi-te num jogo como treinador-treinadora. Tu incentivavas sempre os jogadores e elogiavas-os. Quero que me incentives assim também.”
Fevereiro 24, 2026
Estórias
Adriel e o lápis mole
(relato de Kutxinha – educador-educadora e treinador-treinadora de futebol) O Adriel começou a escola este ano. Na sua primeira semana já tinha muitos trabalhos de casa e tinha de preencher uma página inteira com diferentes linhas. Acabou por se cansar, pousou o lápis e disse: “O lápis ficou muito mole. Tenho de esperar até ficar duro outra vez.”
Fevereiro 24, 2026
Estórias
Mateus e os vermes
(relato de Kutxinha – educador-educadora e treinador-treinadora de futebol) Numa das salas do Centro de Educação está pintado um esqueleto humano na parede — não para assustar as crianças, mas para as ajudar a aprender os nomes e a localização dos ossos. O Mateus (8 anos) observou atentamente o esqueleto e depois explicou-me:“Um dia vamos todos ficar assim.” “Porque pensas isso?” “Porque todos temos de sobreviver. E os vermes também precisam de comer.”
Fevereiro 24, 2026
Estórias
Uma amizade cheia de conflitos
(relato de Samir – educador) Todas as manhãs, a Taissa, a Neimara, a Nimara e a Gissara (todas com 9 anos) chegam juntas ao Centro de Educação. São melhores amigas e passam todo o tempo juntas no centro. A Taissa é a mais pequena e carinhosa; adora abraços e cuida sempre das outras.A Neimara é a mais faladora, cheia de energia e sempre pronta para aventuras.A Nimara é muito possessiva e quer que tudo seja à sua maneira, sobretudo nas brincadeiras.A Gissara é a mais doce e conquista todos com o seu jeito carinhoso e alegre. Ao longo do dia surgem pequenos conflitos — discussões, por vezes lágrimas. No entanto, quando o centro fecha, abraçam-se e caminham juntas para casa, sem qualquer sinal de conflito. No dia seguinte, tudo começa de novo.
Fevereiro 24, 2026
Estórias
Gisele, Luana e as suas mães
(relato de Jassica – educadora do jardim de infância) A Gisele e a Luana estavam sentadas lado a lado no jardim de infância, a conversar enquanto desenhavam. Ambas tinham perdido as suas mães. A Gisele explicou à Luana:“Eu tenho três mães. Uma delas já está no céu.” A Luana pensou um pouco e respondeu:“A minha mãe também está no céu. Mas à noite eu vejo-a sempre. Ela é a estrela mais brilhante do céu.”