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Delta Cultura

História contada pela Helena (voluntária de Portugal)

Partilhei o meu projeto de voluntariado com um voluntário homossexual. A situação em causa não é ainda bem aceite na Cidade do Tarrafal, o que faz com que não recebam muito bem as diferenças na orientação sexual de alguém. Presenciei várias atitudes discriminatórias ao meu colega por parte de algumas crianças, jovens e adultos. Numa situação em particular, uma criança dirigiu-se a mim e disse-me que o voluntário em questão devia ir embora da Delta porque a Delta não era um sítio para gays, acrescentou ainda que não gostava dele apenas por essa razão, afirmando que ele dançava como as meninas e que os meninos não podem dançar da mesma forma. Juntamente com outra voluntária tentamos explicar que é importante não julgar alguém pelos sentimentos que tem, uma vez que o facto de gostar de meninas ou meninos não altera em nada as qualidades de alguém, sendo que essa opção não define se alguém é boa ou má pessoa. Explicamos também que esta situação deve ser vista como uma coisa normal porque somos todos diferentes e não temos que gostar todos das mesmas coisas. A criança em questão voltou a insistir que ser gay era ser anormal e feio porque há coisas que só as meninas fazem. Novamente, tentamos explicar que gostar de meninos em vez de meninas ou vice-versa não é algo que escolhemos, mas que pode acontecer a qualquer pessoa, dissemos que era algo que podia acontecer com ela e que se deveria colocar no lugar do outro para tentar perceber que não ia gostar que alguém fizesse estes comentários desagradáveis sobre ela. Na altura, ficou pensativa e foi-se embora. Dias mais tarde, no último dia do voluntário na Delta, a criança dirigiu-se a ele e pediu desculpa pelo que disse sobre ele, dando-lhe um enorme abraço de despedida.
admin

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